ACIDENTE COM EDUARDO CAMPOS : COMANDANTE DA AERONÁUTICA FALA SOBRE AS INVESTIGAÇÕES

Saito no Senado - foto FAB - agência Força Aérea

Acidente com Eduardo Campos: comandante da Aeronáutica fala sobre as investigações

Abaixo, trazemos o conteúdo de reportagens com entrevistas do comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Juniti Saito, publicadas nos jornais Estadão e Folha e reproduzidas no Notimp da FAB. Reproduzimos aqui ambas pelo fato dos conteúdos se complementarem.

ESTADÃO: ‘NÃO ESTAMOS ESCONDENDO NADA’, AFIRMA COMANDANTE

Juniti Saito defende trabalho da Aeronáutica e diz que ainda não se sabe por que caixa-preta não contém diálogos
O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, relatou ao Estado o teor das últimas conversas do piloto da aeronave Cessna Citation 560XL que caiu na quarta-feira passada no litoral paulista, matando o candidato à Presidência da República do PSB, Eduardo Campos, e mais seis pessoas.
Segundo Saito, o piloto Marcos Martins, uma das vítimas do acidente, falou com o serviço de rádio em um momento crucial, informando que estava arremetendo por causa da visibilidade ruim. Questionado pelo controlador quais eram suas próximas intenções, respondeu, com tranquilidade, que iria “aguardar a melhoria do tempo”.
Só que, depois disso, o militar tentou, pelo menos, quatro contatos e não conseguiu mais comunicação com o piloto. A conversa foi mantida com o militar do serviço de radiocomunicação da Base Aérea de Santos e é posterior aos diálogos já divulgados que trouxeram informações sobre a aproximação da aeronave. A reconstrução desses detalhes foi possível pelas informações do pessoal de terra em Santos e das gravações da Base Aérea, já que não há qualquer registro das conversas dos pilotos no equipamento que ficava na cabine do avião.
Por que a caixa-preta não contém a conversa do voo que era tão aguardada para ajudar esclarecer o acidente?
Não sabemos o aconteceu. Estamos investigando. Todos estavam ansiosos pelo resultado da avaliação da caixa de voz, sobre o conteúdo da caixa-preta. Só que, lamentavelmente, não tem nenhum diálogo entre os pilotos. Não sei o que aconteceu.
O senhor tem alguma ideia sobre o que pode ter acontecido para a caixa-preta não registrar as conversas na cabine?
Os investigadores vão tentar descobrir. Pode ser uma pane no equipamento. Não sabemos exatamente. Por que alguém iria desligar deliberadamente um equipamento que pode servir de subsídio para trabalhos futuros, que grava tudo que acontece na cabine e pode ajudar as investigações em caso de acidente? Não tem explicação.
Qual foi o último contato do operador de rádio em Santos com o piloto?
O piloto falou com o sistema de rádio de Santos o tempo todo, informando a posição da aeronave e, quando da aproximação do procedimento, ele disse que estava arremetendo por causa da visibilidade ruim. O controlador, que não é um controlador de tráfego, mas um operador do sistema de rádio, perguntou quais as próximas intenções do piloto. E o piloto respondeu que ia aguardar a melhoria do tempo. Só que, depois disso, o piloto não chamou mais.
O controlador chamou o piloto?
O controlador do rádio chamou pelo menos umas quatro vezes o piloto. Foram várias tentativas. E ele não respondeu.
Todos esperavam pela transcrição da caixa-preta, que registra as conversas entre os pilotos dentro da cabine de comando, para saber o que aconteceu.
Não estamos escondendo nada, ao contrário. Gostaria que as pessoas confiassem na seriedade do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) em buscar a verdade do que ocorreu porque tudo que encontrarmos será importante para evitar que novos acidentes deste tipo ocorram. Nosso trabalho é muito sério e reconhecido mundialmente.
Quando saberemos o que aconteceu?
Não podemos dar prazo. Estamos checando todos os parâmetros e examinando detidamente cada equipamento.
O senhor esteve hoje com a presidente Dilma Rousseff. Ela ficou preocupada com o fato de não existir gravação?
Eu pedi a audiência, já que na quarta-feira ela me designou para ir a Santos com o ministro Aloizio Mercadante e o vice-presidente Michel Temer. Fiz um relato do que vi lá. Apresentei os dados. Expliquei que não sabemos o que aconteceu com a caixa-preta e que não existe conversa dos pilotos em voo. Falei sobre a trajetória do voo e que estamos em um momento de busca de informações e explicações que pudessem ajudar nas investigações.
A Aeronáutica foi criticada por políticos?
Estamos à disposição para prestar esclarecimentos, mas gostaria que acreditassem no nosso trabalho que é muito sério. O nosso sistema de investigação é um dos mais respeitados mundialmente.

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FOLHA: PILOTO NÃO REPORTOU QUALQUER PROBLEMA TÉCNICO, DIZ SAITO

JunitiSaitoAntonioCruzA última comunicação gravada do piloto Marcos Martins com o operador de rádio da Base Aérea do Guarujá não indica preocupação nem se refere a qualquer problema técnico no Cessna 560 XL.
Martins avisou ao rádio que estava arremetendo, ou seja, abortando a aterrissagem, quando o operador lhe perguntou sobre “suas próximas intenções”. Ele respondeu: “Vou aguardar a melhoria de condições do tempo”.
Até agora, a única frase divulgada de Martins havia sido gravada pela Torre de Controle de São Paulo, não pelo rádio de Santos, e foi antes da arremetida.
A informação é do comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, que fez um relato nesta sexta-feira (15) para a presidente Dilma Rousseff sobre o estágio das investigações. Leia trechos da entrevista dele à Folha.
Folha – O que houve com a gravação da caixa-preta?
Juniti Saito – As conversas entre os pilotos não foram gravadas e as últimas vozes são de mecânicos no solo, mas são conversas sobre sistemas, nada relevante para a investigação.
Por que não gravou?
Estamos fazendo consultas ao fabricante e à empresa de manutenção, porque isso não é usual.
O quanto prejudica as investigações?
Nós temos outros fatos e fatores para analisar, como as condições das turbinas e dos flaps e as gravações dos radares. Mesmo as turbinas estando danificadas, há boas condições de análise.
A FAB trabalha com a hipótese de “desorientação espacial”?
Todo acidente, mesmo quando o fator principal é falha mecânica, tem a mão humana, seja dos pilotos, seja dos mecânicos. Mais de 80% dos acidentes ocorrem por falha humana.
Foi detectada alguma falha mecânica até agora?
Só temos certeza de que o trem de pouso e os flaps estavam recolhidos, funcionaram. Mas nada pode ser descartado, tudo entra na investigação.
Inclusive a hipótese de choque com drones?
Isso é coisa de quem quer tumultuar a investigação. Existe, sim, uma Notam (nota da Aeronáutica para pilotos) citando drones, mas a 20 km da pista, e esses drones pequenininhos só voam por instrumento a 300, 400 metros. E com chuva, vento forte, se o dono puser para voar, vai perder o drone dele.
E com pássaros?
É a mesma coisa. Sabe aquele jargão dos pilotos? “Com o tempo ruim, até urubu fica no chão”. Urubu e drones não voam naquelas condições [do dia do acidente, de chuva e vento].
O avião realmente apresentou fogo e fumaça ainda voando?
Isso, sinceramente, é coisa de quem não conhece bem… É muito difícil achar que tinha fogo e fumaça no ar, até porque o piloto não comunicou ao rádio hora nenhuma. Então, como as pessoas conseguiam ver fogo, fumaça, se o tempo estava ruim, fechado, chovendo muito?
O sr. sabe qual foi a última comunicação do piloto?
Ele comunicou ao rádio [da Base do Guarujá] que estava arremetendo. O operador falou: “Suas próximas intenções”. Então, ele disse: “Vou aguardar a melhoria de condições do tempo”. Foram suas últimas palavras. Depois, o operador do rádio chamou uma, duas, três, quatro vezes, sem retorno.
Como foi sua conversa com a presidente?
Ela é muito perguntadora. Fiz um relato do que temos até agora, com a simulação do voo e o andamento das investigações. Não é muita coisa, mas é o que temos.
O avião passou mesmo entre dois prédios?
Vi um delegado falando isso na televisão, mas nossa simulação não inclui isso. O importante é que foi muita sorte não matar ninguém no solo. Não teve vítimas e seguramente era para ter [no solo].
O sr. está otimista quanto aos resultados da investigação, só com destroços e sem a gravação da caixa-preta?
Nosso sistema de investigação é reconhecido internacionalmente como um dos melhores do mundo. Só ficamos atrás do Canadá e empatamos com a União Europeia, com 96 a 97% de aprovação. Peço que confiem na Força Aérea, não vamos entrar no jogo político.
FONTES: O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, via Notimp
FOTOS em caráter meramente ilustrativo

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