PAREM DE RELATIVIZAR A CRISE DO BRASIL


Não são exageradas as notícias sobre a crise no Brasil. Nova onda de demissões nas empresas, recessão prolongada, Congresso escangalhado e difícil recuperação de confiança no país. No entanto, na bodega mais próxima de você, haverá malucos sorridentes para lhe dizer que o que lemos nos jornais, vemos nas ruas, nas escolas e no mercado de trabalho é um exagero.
No meio da crise, agitam suas bandeiras partidárias para defender quem nos botou no meio da lama.
Eu queria acreditar que no fundo são boas pessoas, queria acreditar que não sabem do que estão falando. Não tenho dessas ilusões mais. De alguns labregos, sinto pena. Mas da maioria, tenho nojo.
Explico o porquê: porque em outros tempos, sempre se mostraram preocupados com a vida alheia, propondo políticas públicas e demais tentativas de mudança na sociedade, caindo no chão e dando chiliques, se fosse o caso.
Se antes viviam pedindo 10% do PIB para a educação, porque “só a educação resolve”, agora qualquer corte de 9 bilhões na educação, qualquer corte de verba na pré-escola e creche, qualquer corte de recursos para pós-graduação, resultado da irresponsabilidade com as contas públicas nos últimos anos, não é discutido mais.
Eu sei que são capazes de mais e melhor. Não dá para aceitar essa relativização agora que atravessamos a pior retração da economia dos últimos 25 anos. Alguns dos mais indignados de outros tempos, nada fazem agora. Se antes viviam dizendo que se preocupavam com os pobres, no ano em que a inflação beira os 10%, o que afeta principalmente as classes mais baixas, nada dizem.
Em vez de falar da crise, das demissões em massa, registram o pôr-do-sol na praia e curiosidades científicas sobre espécies de rãs em risco de extinção. Trocaram o discurso, mudaram também o tom e a disposição com que falam de política.
Mas ainda que ficassem calados nos seus cantos, vá lá. Não é o caso. O nível de argumentação governista está perigosamente tóxico. Dia desses li o tal Crítico de Cinema Governista falando que a mídia estava exagerando: “sentem prazer em pintar o país em cores sombrias”. De acordo com uma metodologia lá dele, que consiste em jogar no Google os termos “apesar da crise” e puxar os poucos resultados positivos sobre o país, nem a Grécia estaria assim tão mal. E daqui a pouco ele pode dizer que o recorde de trânsito nas cidades demonstra como não há essa crise toda que a mídia fala, afinal trata-se de gente indo para o trabalho. É impressionante ver o que o governismo é capaz de fazer com alguém.
Estamos em queda livre. Não sabemos onde isso vai dar. Minimizar a situação pela qual estamos passando demonstra o desprezo por aqueles que foram demitidos e estão sofrendo com a crise (115 mil postos de trabalho foram fechados apenas em maio - o pior resultado para o mês dos últimos 23 anos).
A questão é fazer média entre os seus. Dane-se se é mentira ou não. Os números, os argumentos, a lógica, a realidade, nada disso interessa. A moral aqui varia conforme a conveniência.

Fonte:https://br.noticias.yahoo.com/blogs/guy-franco/parem-de-relativizar-a-crise-no-brasil-150847793.html

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