VÍRUS ZIKA ATERRORIZA FAMÍLIAS NO BRASIL

Matheus Lima e Kleisse Marcelina com seu filho Pietro, que sofre de microcefalia, em Salvador, no dia 27 de janeiro de 2016
Matheus Lima e Kleisse Marcelina com seu filho Pietro, que sofre de microcefalia, em Salvador, no dia 27 de janeiro de 2016

Vírus zika aterroriza famílias no Brasil

Por Natalia RAMOS
28 de janeiro de 2016

Mateus Lima tinha grandes sonhos para seu filho, mas que eles se foram no parto. A explicação mais provável neste momento é que um mosquito infectou sua esposa durante a gravidez e afetou irreversivelmente a vida da criança.
"Quando nasceu foi como uma bomba. Tinha tantos sonhos. Eu queria que praticasse esportes, brincasse, fosse saudável e forte", declara à AFP, sentado ao lado de sua esposa, Kleisse Marcelina, em uma enfermaria do hospital Irmã Dulce, em Salvador, em um dos estados mais atingidos pela explosão de casos de bebês nascidos com microcefalia no país.
O ministério da Saúde adota a medida de 32 cm de perímetro cefálico para identificar bebês com possível microcefalia, uma malformação que está associada ao contágio das mulheres grávidas pelo vírus Zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, cujo surto eclodiu em 2015 no país e em grande parte da América Latina.
"Eu tive Zika no quinto mês de gravidez. Fui ao médico e ele me disse que não havia riscos para o meu bebê. Mas quando ele nasceu, em 22 de novembro, fomos informados que tinha microcefalia e que nunca seria uma criança normal", lamenta Kleisse, de 24 anos, dois anos mais velha que seu marido.
É o primeiro filho do casal, e Kleisse não parou de chorar desde o parto. "Hoje estou mais tranquila, mas ainda tenho medo pelo futuro do meu filho", afirma. "Será que vai conseguir andar ou falar?", questiona-se.
O pequeno Pietro se move agitadamente nos braços de seu pai. Seu corpo é mais rígido e sua cabeça mais firme do que uma criança com desenvolvimento normal do cérebro com a mesma idade, uma característica dos bebês com microcefalia.
Os ventiladores da enfermaria aplacam o clima quente do verão. Este hospital católico atende gratuitamente famílias pobres e, assim como Marcelina, há outros bebês que já foram diagnósticos com malformação.
"Eu peguei o vírus Zika na gravidez e me disseram que nada iria acontecer, mas no oitavo mês detectaram a microcefalia. A partir desse momento eu não dormi mais", diz Ana Paula Santos, de 34 anos, carregando em seus braços Flávia, de um mês e meio de vida, que também se agita inquieta.
Do espanto à ação
O departamento de neurologia pediátrica do hospital Irmã Dulce está agitado como toda quarta-feira desde novembro, quando decidiu dedicar esse dia apenas aos casos de microcefalia devido ao número crescente de casos.
No primeiro dia receberam seis casos; duas semanas depois, 19 e para evitar um colapso abriram uma agenda que já tem uma lista de espera.
"Estamos em alerta, correndo para encontrar soluções. Já passamos pela fase de espanto, estamos agora na da ação", afirma à AFP Janeusa Primo, chefe do setor de neurologia pediátrica do hospital.
"Este é um problema de saúde pública global. O vírus pode ter entrado no Brasil pela Copa do Mundo e já não está mais apenas aqui. E ainda estão sendo discutidos outros possíveis modos de transmissão além da picada do mosquito Aedes aegypti, tais como a transmissão pelo sexo", alerta.
Para evitar o contágio, o mais seguro agora é evitar a picada deste inseto que se prolifera nos verões tropicais úmidos e que também transmite outras doenças, como dengue, febre amarela e Chikungunya.
No Brasil, o alarme foi disparado em outubro, quando um surto de casos de microcefalia foi detectado no nordeste.
Desde então, foram registrados 4.180 casos suspeitos da malformação (270 já confirmados), contra 147 bebês diagnosticados ao longo de 2014.
Estimulação precoce
Autoridades e cientistas brasileiros identificaram uma possível ligação entre a explosão de casos e o vírus Zika, embora não haja unanimidade sobre esta hipótese.
O quadro viral do Zika é mais brando do que o de dengue, com mal-estar, febre e, por vezes, erupções na pele, mas a possível transmissão de mulheres grávidas para seus filhos pode ser devastadora.
Dificuldades na fala, audição ou visão; alterações motoras e cognitivas são as características da microcefalia e variam segundo a área danificada do cérebro. A malformação é visualmente detectável nos bebês, embora passem por uma série de testes para um diagnóstico preciso.
A partir do diagnóstico - quanto mais cedo melhor - o recomendado é um processo de estimulação das áreas não comprometidas.
Enquanto isso, os cientistas tentam reunir informações sobre gravidez, contágio do Zika e outras doenças.
"Se eu soubesse, teria me cuidado melhor, teria usado repelente. Somos picados por mosquitos a vida inteira, mas só agora isso acontece", reclama Kleisse. "Mosquito do inferno!", exclama o marido.




Fonte:https://br.noticias.yahoo.com/v%C3%ADrus-zika-aterroriza-fam%C3%ADlias-brasil-181050062.html


Matheus Lima e Kleisse Marcelina com seu filho Pietro, que sofre de microcefalia, em Salvador, no dia 27 de janeiro de 2016

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