OS SETE ERROS QUE PÕEM BRASIL NA ROTA DO 'LOCKDOWN',SEGUNDO ESPECIALISTAS


bbc (Foto: SEBASTIÃO MOREIRA/EPA)

Os sete erros que põem Brasil na rota do 'lockdown', segundo especialistas (Foto: SEBASTIÃO MOREIRA/EPA)

Os sete erros que põem Brasil na rota do 'lockdown', segundo especialistas

Regiões brasileiras chegaram a um cenário tão crítico de calamidade dos sistemas de saúde por causa do coronavírus que a única saída agora seria uma maior restrição da circulação de pessoas e até "lockdowns", de acordo com especialistas

Regiões brasileiras chegaram a um cenário tão crítico de calamidade dos sistemas de saúde por causa do coronavírus que a única saída agora seria uma maior restrição da circulação de pessoas e até "lockdowns", de acordo com especialistas.
"Lockdown" é o termo em inglês para confinamento ou isolamento compulsório, e pode ter diferentes graus de rigor, da restrição maior de transporte público e privado ao bloqueio total de entradas de cidades ou Estados. É diferente da adesão voluntária da população ao isolamento social porque pode restringir a circulação de pessoas através de bloqueios e punições — de multas a detenção —, como ocorreu na Itália e na Espanha, por exemplo.
O objetivo do isolamento das pessoas, voluntário ou compulsório, é reduzir as contaminações pelo coronavírus e ganhar tempo para que os sistemas de saúde possam atender os pacientes mais graves. Se muita gente estiver infectada de uma vez pode não haver leitos para todos — como já acontece em alguns Estados do Brasil que atingiram ocupação máxima de leitos de UTI.
"Temos aumento de casos, aumento de mortes e redução de isolamento. Não vejo outra solução a não ser tomar uma medida muito mais forte, muito mais extrema", diz Paulo Lotufo, epidemiologista da USP.
O Brasil começou bem com o isolamento social com alguma antecedência, mas cometeu alguns erros ao longo do caminho que colocou o país na rota do "lockdown". A BBC News Brasil falou com cinco especialistas da área de saúde para entender que erros foram esses e por que o confinamento pode ser a melhor solução 1) Adesão irregular ao isolamento social
O primeiro motivo citado por especialistas para uma eventual necessidade de restrição severa de circulação de pessoas ou o confinamento compulsório é que simplesmente muitas pessoas não fizeram o isolamento social proposto até agora ou abandonaram a quarentena no meio do caminho.
"Se formos pensar no país como um todo, o isolamento foi muito irregular. Em alguns lugares, praticamente não existiu", avalia Raquel Stucchi, infectologista da Unicamp e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia.
Na visão da epidemiologista Raquel Martins Lana, "o isolamento começou a ser afrouxado no momento mais crucial". Como o vírus demorou um tempo para chegar ao Brasil, regiões do país até começaram a se preparar com antecedência. "A gente estava indo relativamente bem, com tempo para construir hospitais de campanha, aumentando o número de leitos e ganhando certa vantagem para deixar a transmissão mais devagar", diz ela.
"A epidemia ficou um pouco mais lenta no Brasil e houve um pequeno retardo no colapso do sistema em alguns lugares. Mas quando a gente ia ver isso, o isolamento foi abandonado em muitos lugares, e rapidamente houve um aumento de casos graves."
Lana é integrante do Mave, grupo de trabalho de pesquisadores de computação científica da Fiocruz e matemática aplicada da Fundação Getúlio Vargas que vem analisando a situação da disseminação do vírus no Brasil.
"Se tivéssemos continuado com o isolamento como no início, provavelmente não precisaríamos agora de uma medida radical como o isolamento obrigatório. A gente tinha adesão alta. Não era uniforme, não era igual em todos os Estados, mas estava funcionando", afirma.




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